14 de jun. de 2012

A prece do caboclo.















Caboclo humilde e trabalhador,
de olhar sereno que contempla
a terra onde os seus sonhos
ele enterrou.

Sente o vento bater no rosto
tão castigado pelo sol,
o mesmo que levou,
seus sonhos de amor.

Caipira de alma tão pura,
simples e hospitaleiro,
que reza na sua viola
sempre que o sol se põe.

Medita olhando a lua,
a Deus pede vida e
saúde, mas também
um grande amor!

Na escuridão quando se
deita, escuta o som
da roça enquanto seu
sono não chega.

E os cantos dos passarinhos
acorda o caboclo cedinho!
E da janela da sua palhoça
ele pede a Deus, enquanto
o dia clareia.

Retorna pra sua lida
batendo a enxada no chão,
guardando no coração
as coisas que vai cantar.

Quem falou que caboclo
não é poeta, além de tudo
é profeta, coloca a sua
alma nas cordas da viola.


Mariangela Vieira