Espreita pela janela o roceiro,
só pra ver o barulho que faz ...
É o barulho da água escorrendo lá fora,
os lobos uivando pra lua e
os bichos seresteiros!
É o canto daqui do sertão.
É o barulho da vida solitária
que lhe trás felicidades,
e muitas recordações!
Lembranças da mulher faceira
com seu jeitinho brejeiro, que
se foi por causa da solidão.
Agora o roceiro tão triste,
sentado na mesa de toco,
compõe lindas canções!
Ele que mora ao pé da serra,
olha a beleza das colinas
e o luar deste sertão.
A luz da beleza da lua,
da velha lamparina acesa,
alumia o coração.
Ele passa assim suas horas,
rezando na sua viola e
pedindo em oração...
Que nunca saia dali!
Pois sentiria tantas tristezas
se não puder mais enxergar
o verde daquelas matas,
as águas que escorrem lá no regato
e o canto dos sabiás.
Mariangela Vieira
