A chuva está caindo!
Abençoada e esperada.
Como senti saudades do seu frescor,
E do seu barulho gostoso!
Recordei-me até daquela rede
Da minha infância,
Da minha infância,
Balançando sozinha
Na varanda de casa.
Da chuva que caia abundante
Alegrando toda roça.
Lembrei-me saudosa
Do meu pai,
Que se escondia na varanda,
Sentado na rede,
Descansando um pouquinho
Até que a chuva diminuísse
E ele pudesse então
voltar a trabalhar.
Ele ficava ali,
Contemplando feliz
A alegria das plantas.
Que molhadas criavam vidas!
E quando meu pai saia da rede,
Para ir à cozinha tomar café;
Eu sentia em meus pés
O tremor no assoalho,
Dos seus passos se afastando dali.
Então eu corria a deitar em seu lugar
Quentinho...
Naquela rede que balançava.
Mariângela Vieira
